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História de Saul – Quem foi o Rei Saul?

Hoje nós vivemos na nova aliança, por assim dizer, estamos “sob a graça”, somos salvos pela graça, por meio da fé (Efésios 2.8).

Mas entendemos também que uma pessoa “pode cair da graça”, ou seja, pode se perder mesmo tendo experiências pontuais com o Senhor, e assim apostatar e ficar eternamente perdidas e sem esperança, a menos que se arrependam do seu pecado.

Saul, numa comparação ousada porque vivia numa outra época, por assim dizer, estava “sob a lei” (mas não longe do amor e da graça que sempre se manifestaram na história da gente), “caiu da graça”. Um homem escolhido para governar Israel terminou sua vida por meio de um suicídio, pois no caminho o seu coração se perdeu infelizmente. Vamos conhecer a sua história.

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Quem foi Saul?

Saul em hebraico significa “Pedido de Deus”. Saul era da tribo de Benjamin, seu pai chamava-se Quis. A descendência de Saul era: Afias que gerou Becorate, Becorate que gerou Zeror, Zeror que gerou Abiel, Abiel que gerou Quis e Quis que gerou Saul.

O pai de Saul era um homem de alta posição e influência em sua região. Saul era o jovem mais atraente de todo o Israel, era um jovem bonito e alto, os demais ali chegavam apenas aos seus ombros. Saul foi pai de seis filhos homens: Jônatas, Isvi, Malquisua, Is-Bosete, Armoni e Mefibosete, além de filhas, a mais velha chamava-se Merabe e a mais noiva Mical.

Saul e o resumo do seu reinado

Quando Saul assumiu a realeza sobre Israel, lutou contra os seus inimigos em redor: moabitas, amonitas, edomitas, o rei de Zobá e os filisteus (1º Samuel 14.47).

Durante todos os anos em que Saul viveu, houve guerra encarniçada contra os filisteus. Todos os bravos e valentes que Saul ia conhecendo, imediatamente os recrutava para seu exército. (1º Samuel 14.52).

O rei Saul

A Palavra nos conta no inicio da história de Saul que algumas jumentas do grupo pertencente a Quis, seu pai, se desgarraram e ele pediu que Saul ao lado de um criado fosse atrás delas para procura-las. Eles obedeceram, mas não as encontraram.

Sendo assim, Saul sugeriu ao criado que eles voltassem para casa depois de toda a procura, pois já haviam passado por muitas regiões e ele justificava que caso contrário Quis, seu pai, iria deixar de se preocupar com as jumentas para preocupar-se com eles, mas o criado ponderou:

“Nesta cidade mora um homem de Deus que é muito respeitado (eles estavam falando de Samuel). Tudo o que ele diz acontece com certeza. Vamos até lá: é bem possível que nos possa orientar quanto ao caminho que devemos seguir” (1º Samuel 9.6).

Mas Saul questionou dizendo:   “O que nos ofereceremos ao homem?”. Nada mais restava com ele, porém o servo possuía consigo três gramas de prata e considerando isso ao lado de Saul ambos decidiram ir até Samuel. Os dois chegaram onde estava Samuel e este estava por oferecer sacríficos no altar do monte.

É interessante, a Palavra ressalva que, o dia anterior esses acontecimentos, o Senhor já havia revelado a Samuel tudo o que sucederia, ou seja, que Saul iria procura-lo e lhe deu uma orientação: “Unge-o como líder sobre Israel, o meu povo.

Ele libertará o meu povo do domínio dos filisteus, porque tenho observado o sofrimento do meu povo e ouvido os seus pedidos de socorro!” (1º Samuel 9.16).  Quando Saul chegou até Samuel, Saul pediu que ele indicasse onde eles encontrariam o “tal profeta”, neste instante Samuel respondeu que ele estava “conversando com o profeta”.

Samuel convidou Saul para subir com ele onde estava o altar e que não se preocupará com o que lhe afligia o coração e nem com as jumentas que nessa altura já haviam sido encontradas. Samuel lhes disse:

“A quem pertencerá tudo o que é precioso em Israel, senão a ti e a toda família de teu pai?” (1º Samuel 9.20).

Saul se espantou com suas palavras por pertencer a menor das tribos de Israel e sua família a menos importante dali. Samuel conduziu a Saul e seu servo ao salão de festa e ofereceu-lhe o lugar de maior honra na posição da mesa e serviu-lhe da melhor porção da comida.

Samuel conversou com Saul no terraço de sua casa, depois que desceu do altar do monte para a cidade. Quando Saul e o criado estavam indo embora, ao raiar da aurora, Samuel foi acompanha-los até a saída da cidade. Samuel pediu a Saul que orientasse o servo que os acompanhará que fosse adiante deles, contudo Saul deveria esperar para que Samuel lhe entregasse uma palavra da parte do Senhor.

Samuel havia trazido consigo um frasco de azeite que derramou sobre a cabeça de Saul e beijando-lhe a face, lhe disse o que sucederia, a saber: Ele encontraria no caminho dois homens que falariam que as jumentas de seu pai foram achadas e que na verdade agora ele estava preocupado com o paradeiro de Saul (a preocupação inicial era essa mesmo).

Disse ainda que no caminho encontrará com homens que estarão a cultuar a Deus e lhe oferecerão pães dos quais deve aceitar e seguindo caminho encontrará com uma confraria de profetas que estarão descendo do alto lugar, eles estarão profetizando e nesse momento o Espírito Santo tomará pleno controle de ti e terás manifestações proféticas com eles, e será transformado em outro homem (1º Samuel 9.25 – 10.6).

Quando Saul deixou Samuel, Deus mudou o seu coração e todos aqueles sinais de cumpriram naquele mesmo dia.

Um pouco tempos depois, o povo de Israel foi proclamado a apresentar-se diante de Deus em Mispá e Saul foi aclamado rei de Israel. Normalmente havia as pessoas que celebravam com palavras de alegrias: Viva o rei! Mas também alguns arruaceiros murmuravam e questionam: “Como poderá essa tal nos salvar?”, desprezando-o.

O Inicio do Governo do Rei Saul

Cerca de um mês depois desses eventos, houve a primeira batalha sob o comando de Saul. A batalha foi contra os amonitas. Saul e seu povo se viram vitoriosos massacrando do acampamento dos amonitas quase todos os seus inimigos.

Na volta, Samuel proclamou todo o povo e disse: “Vinde e vamos a Guilgal e reafirmemos ali nossos votos quanto ao reinado de Saul”. Ali se imolaram sacrifícios de comunhão diante do Senhor, e Saul e todos os homens de Israel se entregaram a manifestações de júbilo (1º Samuel 11.15).

A Desobediência do Rei Saul

Passados um ano do reinado de Saul em Israel, Saul escolheu três mil guerreiros que foram organizados assim: Dois mil com Saul e mil com seu filho Jônatas. Nessa oportunidade Jônatas atacou e matou o comandante filisteu.

Os filisteus foram informados do que aconteceu e então Saul mandou tocar a trombeta convocando os israelitas para a guerra. O exercito dos filisteus era “tão numeroso como areia das praias do mar” (1º Samuel 13.5).

Assim que os soldados israelitas perceberam que estavam em apuros, esconderam-se em cavernas e buracos. Saul permaneceu em Guilgal e os soldados que estavam com ele tremiam de pavor. Saul esperou sete dias, seguindo uma orientação de Samuel (A orientação: 1º Samuel 10.8), contudo como Samuel não chegava seu exercito dispersou-se.

Nesse cenário Saul mesmo ofereceu holocaustos a Deus e logo após o término Samuel chegou e reprovou a atitude de Saul. O fato da reprovação não era simplesmente poder ou não oferecer holocausto, mas sim demonstrar ou não obediência a Deus, o pecado de Saul nesse caso foi imaginar que poderia fortalecer a situação de Israel contra os filisteus enquanto ao mesmo tempo, descumpria a Palavra do Senhor, mediante as instruções de Samuel dadas anteriormente.

Saul foi insensato, pois não obedeceu a ordem do Senhor e como consequência ele não iria mais seguir governando, pois Samuel lhe afirmou que Deus já havia escolhido um novo rei, um “homem segundo o seu coração”.

Diante de todo o cenário e da continua desobediência de Saul, a palavra do Senhor veio a Samuel nestes termos: “Arrependo-me de haver promovido Saul à realeza, porquanto ele se afastou de mim e não seguiu as minhas orientações” (1º Samuel 15.11).

“Agrada-se mais a Deus com holocaustos e sacrifícios do que com a sincera obediência? De modo algum, a obediência é melhor do que o sacrifício e a submissão do coração mais do que a gordura de carneiros. Porquanto a rebeldia é como o pecado da feitiçaria e a arrogância como o mal da idolatria! Porque rejeitaste a Palavra do Senhor, Ele também o rejeitou como rei do seu povo!” (1º Samuel 15.22-23).

Samuel lamentou profundamente o ocorrido e o fato de Deus ter se arrependido de ter feito Saul rei de Israel.

Saul Possuído pelo Espírito Maligno

O homem “segundo o coração de Deus” referido acima é Davi. Samuel ungiu Davi como rei de Israel. Davi é o personagem a quem Saul irá perseguir ferozmente pós ser tomado por um espírito maligno acentuado da inveja. Esse espírito maligno sobre Saul foi permissão da parte do Senhor.

A história nos conta que o Espírito Santo tinha se retirado de Saul e um espírito maligno o atormentava. Todas as vezes que o espírito maligno tomava conta de Saul, imediatamente ele mandava chamar Davi que ao tocar a sua harpa acalmava Saul e este sentia grande alívio e bem estar, pois o espírito se afastava dele deixando-o em paz.

Saul Versus Davi

Jônatas, filho de Saul, foi grande amigo de Davi ajudando-o na caminhada que estava por vir em frente à perseguição de seu pai.

A inveja devastadora de Saul em relação a Davi partiu disso: “Quando os soldados retornavam para casa, depois que Davi venceu e matou o grande filisteu (A saber, o “gingante Golias” – Pois as batalhas e guerras continuavam), as mulheres saíram de todas as cidades de Israel ao encontro de Saul com cânticos e danças, com tamborins, com músicas festivas e instrumentos de três cordas.

E as mulheres dançavam e cantavam: ‘Saul matou milhares, e Davi, dezenas de milhares’. Então Saul se indignou e ficou muito irritado ao ouvir esse refrão, e exclamou: ‘Ora, a Davi atribuíram a morte de dezenas de milhares, mas a mim somente milhares, a continuar assim, só lhe faltará conquistar o meu reino’. E desse dia em diante, Saul começou a nutrir um forte sentimento de inveja de Davi. (1º Samuel 18.6-9). Saul também alimentava grande medo de Davi, porquanto sabia que o Senhor estava com ele (Davi), mas havia o abandonado (Saul), (1º Samuel 18.12).

Observando que Davi sempre alcançava grande sucesso, Saul deixava seu temor crescer, mas todos em Israel e em Judá amavam Davi, porquanto ele sabia conduzir seu exército nas batalhas e o trazia de volta (1º Samuel 18.15-16).

Por diversas vezes Saul tentou matar Davi com ciladas e emboscadas, mas sempre o Senhor lhe trazia livramentos. Ao menos duas vezes Davi, por sua vez, teve a oportunidade de matar Saul, pois o Senhor mesmo o “colocou em suas mãos”, porém Davi nunca desejou fazer mal a Saul e sempre optou por poupar a sua vida. Por conta de sua ajuda a Davi, Jônatas também foi alvo do ódio de seu próprio pai, bem como todos os que cooperavam com Davi. Davi chegou a ser genro de Saul, cansando-se com Mical.

Davi na Terra dos Filisteus

Após todo tempo de perseguição, Davi foi abrigado pelos filisteus, pois considerou em seu coração: “’Qualquer dia desses Saul vai conseguir me matar. O melhor a fazer é fugir para a terra dos filisteus. Somente assim Saul desistirá de me perseguir em todo o território de Israel, e assim estarei livre de suas mãos’ E quando contaram que Davi havia fugido para Gate, ele, de fato, parou de perseguir Davi”. (1º Samuel 27.1 e 4). Davi permaneceu na terra dos filisteus por um ano e quatro meses.

Saul e Uma Médium

Samuel já havia morrido e Saul havia expulsado de Israel todos os médiuns e aqueles que consultavam espíritos, porém sabia muito bem onde encontra-los.

Nesse tempo os filisteus se juntaram e armaram acampamento para “novo ataque” enquanto Saul reunia todos os israelitas e erguia seu acampamento em Gilboa. Saul sentiu grande pavor e temeu por sua vida, diante disso consultou o Senhor, mas o Senhor não lhe deu nenhuma resposta, pois não o respondia mais.

Diante do silêncio, Saul disfarçou-se e foi com dois dos seus servos “consultar uma vidente”, já era noite.

A vidente, temente por sua vida, reconheceu Saul e este pediu que ela “invocasse ao espírito de Samuel” para que lhe guiasse e a Palavra relata que “houve certa resposta atribuída a Samuel”. Este relato está em 1º Samuel 28.3-25.

Contudo é necessário deixar claro, entre tantos outros exemplos que poderiam ser dados (leia a porção bíblica mencionada acima para entender): Não foi Samuel quem respondeu a Saul pela vidente! Deus parou de responder Saul e não voltaria mais a fazê-lo, por sua vez Samuel era profeta e só falava o que vinha da parte de Deus. Deus é vivo e só se relaciona com vivos, consultar espíritos é um ato expressamente reprovável por Deus.

Quem respondeu Saul foi um “espírito do mal” enganando-o fazendo-se passar por Samuel, porém suas respostas estavam erradas:

1- Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus (morto por eles) Saul se suicidou; 2- Não morreram todos os filhos de Saul como insinuado ali, pelo menos cinco deles permaneceram vivos; 3- Saul não morreu no dia seguinte como indica o espírito ali, Saul morreu cerca de dezoito dias depois. Em Deus não há engano ou dúvidas.

O Triste Fim de Saul

Naqueles dias, como já mencionado, os filisteus reuniram suas tropas e se prepararam para guerrear contra Israel. Davi foi dispensado daquele combate e juntamente com todos os seus soldados partiram a cidade que os filisteus lhes haviam designado.

Aquis, rei de Gate, e seu exercito subiram rumo a Jesreel. Acontece que em combate com os filisteus, os soldados de Israel foram postos em fuga e muitos caíram mortos no monte Gilboa. Os filisteus pelejaram com Saul e mataram Jônatas, Abinadabe e Malquisua).

Nessa batalha Saul foi ferido gravemente. Diante disso, Saul pediu para um dos seus escudeiros matá-lo, porém como houve uma negativa, ele mesmo sacou sua própria espada e atirou-se sobre ela, suicidando-se. Seu escudeiro também se suicidou.

No dia seguinte, os filisteus acharam o corpo de Saul, de seus filhos e de seus escudeiros. Então, cortaram a cabeça de Saul e o despojaram das suas armas, proclamaram a noticia a todos os filisteus, expuseram as armas de Saul no templo de Ashtarot, Astarote e pregaram seu cadáver decepado da cabeça nas muralhas de Bet-Shan, Bete-Seã.

E quando os habitantes de Iavesh-Guilad, Jabes-Gileade tomaram conhecimento do que os filisteus haviam feito a Saul e aos seus, os mais corajosos dentre o povo foram durante a noite a Bete-Seã e tiraram da muralha os corpos de Saul e dos seus três filhos e os levaram para a cidade de Jabes, onde os cremaram. Depois recolheram os seus ossos e os enterraram debaixo da Tamargueira de Javes, e jejuaram durante sete dias (1º Samuel 31.8-13).

Reflexão Final

O arrependimento de Deus está relacionado ao profundo lamento de ver seu projeto desandar, não por sua infidelidade ou falta de compreensão, pois Deus tem todo o controle e permanece fiel, mas sim pelas escolhas erradas que o ser humano, dotado do livre arbítrio, insiste em fazer.

Não foi a primeira vez que ele se lamentou profundamente e será que foi a última ou até os nossos dias Ele tem se lamentado? Pode parecer uma reflexão difícil, mas quando realizada pessoalmente (individualmente) tem o “poder da salvação na sua essência”, pois o reconhecimento de caminhos errados gera arrependimento, confissão e perdão.

Tinha tudo para dar certo, porém desejou trilhar um caminho sem Deus. Longe de Deus a vida é destinada ao fracasso, junto a Deus a vida é abundante e cheia de graça.

As referências desse artigo estão em ( 1º Samuel 9 ao 31; 2º Samuel 2.8-10 e 2º Samuel 21.8 )

Base: Bíblia de Estudo “King James” Atualizada.

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