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Quem foi Judas Iscariotes – História Completa

Palavras do Pastor Deive Leonardo referindo-se a Judas em um dos seus sermões: “Essa talvez seja a pior história da Bíblia porque é a história que revela alguém que Jesus amou e cuidou durante três anos.

É o final de alguém que jogou tudo fora e traiu Jesus e a traição é dolorida porque ela é o episódio seguido de mentiras, de esconder aquilo que estava sendo feito e de comunhão onde já não havia comunhão.

Eu aprendi desde sempre a não gostar de figura de Judas porque nós todos quando lemos de Judas, principalmente no N.T. quando se fala de Judas, fala daquele que traiu Jesus, então a gente não consegue desenhar uma boa imagem de Judas porque aquilo que ele fez no final arrebentou com tudo aquilo que ele fez no começo”.

Esse personagem bíblico pode ser um trágico e autentico relato de tantos outros personagens da história até os dias atuais. 

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História de Judas – Do inicio ao fim!

Judas abriu mão da sua vida quando recebeu o convite e aceitou seguir Jesus, mas infelizmente entendemos que ele o seguia de perto apenas fisicamente, pois o seu coração sempre o seguiu de longe.

Assim como os demais discípulos, Judas começou a seguir a Jesus como ele estava, porém no decorrer da caminhada não se “permitiu conhecer e ser conhecido” por Jesus.

Isso não significa que Jesus não conhecesse Judas por completo, muito pelo contrário, desde o inicio Jesus sabia que ele era o traidor (João 6.64), em João 13.18b, Jesus disse também “Aquele que partilhava do meu pão levantou-se contra mim”, fazendo clara menção do Salmo 41.9. Contudo Judas usava do seu “livre-arbítrio para deixar ser tratado e mudado ou não”.

Quando Jesus escolheu Judas Ele sabia que esse seria o traidor e que essa traição aconteceria para que se cumprissem os planos eternos. Judas não foi coagido a agir dessa forma e não houve uma destinação sobrenatural, ele agiu de livre e espontânea vontade.

Muitas parábolas serviram exatamente para ele quando contadas por Jesus, por exemplo, a “Parábola do Administrador Infiel” (Lucas 6.1-13). Judas não foi inocente, foi ele que se manteve na farsa.

Avareza de Judas

Uma das características de Judas era a avareza (será que por isso ele foi comissionado como tesoureiro, para forjar o seu coração?), na história, quando Marta pegou o equivalente à um pouco mais de 300 gramas de bálsamo de nardo puro, um óleo perfumado muito caro, e ungiu os pés de Jesus, Judas se colocou contrário a tal atitude dizendo:

“Porque este bálsamo perfumado não foi vendido por trezentos denários e dado aos pobres?” (João 12.5).

Ele não estava preocupado com os pobres ao dizer isso, João, em sua carta, escrita depois e conhecendo bem quem foi Judas, afirma:

“Ele não disse isso por se importar com os pobres, mas porque era ladrão, sendo responsável pela bolsa de dinheiro, frequentemente tirava o que nela era depositado” (João 12.6).

Naquele ocasião, iludidos com a “máscara que Judas usava”, os demais discípulos até acharam essa ponderação razoável, conforme nos conta Mateus 26.8.

Essa característica era tão forte em Judas que Jesus foi traído por dinheiro (30 moedas de prata o que correspondia ao preço de um escravo segundo Êxodo 21.32).

As Sagradas Escrituras nos contam que após Judas Iscariotes ter acertado a traição de Jesus (todo o esquema), ele volta para estar com o grupo e com Jesus (era perto da Páscoa no cenário da última Ceia), foi nesse momento que Jesus deu uma lição de amor, humildade e serviço a todos lavando os pés dos doze discípulos.

Jesus se submeter a essa posição serviçal de humilhação era tão impensada que Pedro se abalou resistindo que Jesus tivesse tal atitude para com ele, porém Judas que foi alvo do mesmo amor não esboçou nenhuma reação, nem durante e nem depois, capaz de amolecer o seu coração (Ele podia mudar, assim como todos podem).

Nesse mesmo momento Jesus já começa a ser mais explicito em relação ao traidor que estava ali no meio deles:

1- Dizendo que nem todos ali estão limpos (João 13.11).

2 – Falando sobre o traidor e o cumprimento das Escrituras sobre a traição (João 13.18-19)

3 – Uma declaração explicita da traição: “Em verdade, em verdade vos afirmo que um dentre vós me trairá” (João 13.21).

A partir desse momento os discípulos olhavam uns para os outros perguntando quem seria o traidor, foi quando Pedro fez um sinal para João, que estava à mesa no lado direito de Jesus, para que perguntasse ao Mestre quem seria e a resposta foi que seria aquele a quem Jesus entregasse um pedaço de pão molhado.

O pedaço foi entregue a Judas que ao comer foi totalmente possuído por Satanás e este saiu da presença deles apressadamente (João 13.22-30). Já era noite e ninguém parecia esperar que Judas fosse o traidor, apesar de sua ausência a partir de então.

O negócio junto ao Sinédrio estava fechado e Judas procurava uma boa oportunidade para entregar Jesus (Marcos 14.11). Judas era covarde e buscava a oportunidade quando Jesus não estivesse rodeado da multidão, ele queria que tudo ocorresse sem tumulto (Lucas 22.6).

Após a Ceia, Jesus foi orar no seu “lugar de oração” junto ao Pai, o Getsêmani, Judas conhecia bem esse lugar (João 18.2). Estando Jesus ali, Judas chegou com uma escolta que consistia de um destacamento de soldados romanos e alguns guardas (João 18.3).

Possivelmente a comitiva foi composta de 760 homens da infantaria e 260 da cavalaria. Todos os autores dos evangelhos falam que era uma grande multidão: Mateus 26.47, Marcos 14.43 e Lucas 22.47.

O Beijo de Judas

A Palavra diz que quando Jesus avistou Judas e a comissão, Ele se adiantou e se aproximou deles, porém não negligenciam o sinal do beijo que foi dado por Judas em Jesus (Mateus 26.48 e Marcos 14.45).

João não destaca o beijo, mas destaca o poder messiânico ao que Jesus disse: “Eu Sou” (João 18.6) ao traidor e a comitiva, que se abalaram e caíram por terra. Cada autor destacada por inspiração do Espírito Santo o seu ponto de vista, no caso de João, ele estava revelando Jesus como Messias, o Filho do Altíssimo, por isso essa menção similar à apresentação de Deus em vários momentos do A.T.

Seguindo, Mateus conta aí que Jesus fez uma pergunta crucial a Judas: “Amigo, para que viste?” (26.50). Será que nem isso quebrantou o coração de Judas ou é nesse momento que seu inferno interior se instalou de vez?

Contudo, ao ver que Jesus foi condenado, a consciência de Judas foi despertada, o dinheiro já não importava mais, ele foi tomado por terrível remorso e procurou devolver aquele dinheiro declarando: “Pequei, pois trai sangue inocente”, mas a resposta das autoridades foi: “O que isso nos importa? Isso é problema seu?” (Mateus 27.3-4). Nada poderia anular a traição.

A Morte de Judas

Judas já estava no inferno criado por si e o triste fim foi esse: “Judas atirou então as moedas de prata dentro do templo e, abandonando aquele lugar, foi e enforcou-se” (Mateus 27.5).

Mateus ainda nos conta: “Os chefes dos sacerdotes ajuntaram as moedas e comentaram: ‘É contra a lei depositarmos este dinheiro no cofre das ofertas, pois foi obtido a preço de sangue’, mas concordaram em usar aquelas moedas de prata para comprar o Campo de Oleiro, e formar um cemitério para estrangeiros, por esse motivo ele se chama Campo de Sangue até esses dias; E assim se cumpriu o que fora anunciado pelo profeta Jeremias:

‘Então eles tomaram as trinta moedas de prata, o valor que lhe atribuíram os filhos de Israel e as usaram para comprar o Campo de Oleiro, assim como o Senhor me havia indicado” – (27.6-10).

Foi nesse mesmo campo que Judas se enforcou e ali caiu de cabeça, seu corpo partiu-se ao meio, e as suas vísceras todas se derramaram (Atos 1.18).

Judas se tornou proprietário desse campo, pois Lucas, em Atos 18.1, informa que Judas “comprou um terreno argiloso”, Campo de Sangue, pois pela lei judaica considerava-se a aquisição em nome da pessoa da qual provinha o dinheiro (nesse caso as moedas eram de Judas) mesmo no caso do seu falecimento.

Referências sobre Judas

Judas é outra forma do nome Judá e significa “Jeová conduz” (que contradição com aquele que ele realmente foi!), era um nome bastante comum na época, Jesus tinha um irmão chamado Judas (autor da carta que leva o seu nome no N.T.).

O sobrenome Iscariotes indica a região de onde ele veio: É derivado do termo ish (homem) e do nome da cidade Queriote, ou seja, “homem de Queriote”. É bem provável que Judas fosse de uma cidade no sul da Judeia chamada Queriote-Hezrom (Josué 15.25). Seu pai chamava-se Simão Iscariotes (João 6.71). Judas era o “tesoureiro” do grupo dos discípulos de Jesus (João 12.6).

Considerações Finais

O povo que louva a Deus com os lábios, mas o coração permanece longe Dele. Será que somos assim? Uma reflexão sempre é bem vinda.

Olhar para vida de Judas é olhar para um espelho e refletir como está o estado de coisas dentro de nós mesmos. Judas usou uma máscara a sua vida toda, que tristeza! A avareza o cegou, a hipocrisia o feriu, a busca pelo poder e fama por andar ao lado de Jesus motivaram seu coração, a covardia foi seu esconderijo e o conjunto da obra o matou. Ele viu a Deus, mas o rejeitou.

Ai de nós, que a nossa atitude seja sempre de quebrantamento, arrependimento e confissão, assim como do profeta Isaías (6.1-8) e tantos outros na história, até que Ele nos transforme à Sua semelhança santa.

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