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Parábola dos Talentos

Ao longo do tempo foram muitas as interpretações sobre a “parábola dos talentos” feitas nas plataformas, sermões e textos.

Hoje nós também conversaremos um pouco sobre ela, contudo o nosso objetivo nessa parábola não é simplesmente trazer esclarecimentos pontuais, mas pegar das bagagens ouvidas por todos nós no tempo até aqui e das próprias leituras e pensamentos ocasionados a partir dela, para gerar mais reflexões para nossa vida nas interpretações que nos parecem coerentes e bíblicas. Vamos nessa?

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A Parábola dos talentos

Estando assentado no monte das Oliveiras (Mateus 24.3), Jesus oferece mais uma de suas parábolas aos seus discípulos.

Ele diz que o Reino será como um Senhor que antes de sair de viagem convoca seus servos e lhes confia os seus bens. Para um dos servos concedeu cinco talentos, a outro servo concedeu dois talentos e a outro servo concedeu um talento, cada um conforme sua capacidade pessoal.

Nos dias de sua viagem, o servo que havia recebido cinco talentos investiu e ganhou mais cinco talentos, multiplicando-os assim. Da mesma forma fez o servo com dois talentos alcançando quatro talentos. Contudo, o servo que recebeu apenas um talento, o enterrou escondendo o que lhe foi confiado.

Quando o Senhor retornou, os servos apresentaram-se diante dele e lhe entregaram os talentos que tinham em mãos. O servo que havia recebido cinco talentos agora tinha dez e o servo que havia recebido dois talentos agora tinha quatro e isso muito alegrou o coração do Senhor, que disse a ambos:

“Muito bem, servo bom e fiel! Foste fiel no pouco, muito confiarei em tuas mãos para administrar. Entra e participa da alegria do teu Senhor!” (Mateus 25.21 e 23).

Porém, quando o servo que havia recebido apenas um talento e não tendo multiplicado, pelo contrário, por tê-lo enterrado, tentou explicar ao Senhor dizendo que teve receio e escondeu o que estava em suas mãos, foi devolver o único talento que obtinha, ouviu do seu Senhor:

“Servo mau e negligente! Sabias que colho onde não plantei e ajunto onde não semeei? Então, por isso, ao menos devíeis ter investido meu talento com os banqueiros, para que quando eu retornasse, o recebesse de volta, mais os juros. Sendo assim, tirai dele o talento que lhe confiei e dai-o ao servo que agora está com dez talentos.

Pois a quem tem, mais lhe será confiado, e possuirá em abundância. Mas a quem não tem até o que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o fora, às trevas. Ali haverá muito pranto e ranger de dentes” (Mateus 25.26-30).

A história do “talento”

Segundo estudiosos, um talento correspondia a certa de 35 quilos de prata pura, o equivalente a 6.000 denários (o denário era uma moeda de prata e valia um dia de trabalho de um soldado romano). Talento era uma moeda antiga na Grécia e Roma, antiga medida de peso grego-romano.

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Pensamentos e detalhes da Parábola dos Talentos

Jesus conta nessa parábola que o Senhor chamou os seus servos e no decorrer dela nós notamos que ao menos três se apresentaram e para eles foram concedidos daquilo que o Senhor possuía.

Nós não sabemos que essa casa tinha mais servos e se ao longo da história Jesus continuasse outros se apresentariam, mas o fato é que Ele disse que chamou “os seus servos” e não “alguns de seus servos”, ou seja, a todos que com ele estava foram confiados talentos na medida da capacidade de um.

Ninguém ficou de fora. No evangelho do Reino é assim que funciona também, as riquezas do Senhor do Reino não são concedidas a alguns “servos”, mas sim para todos os que estão com ele, é exatamente essa a proposta do apóstolo Paulo em suas palavras em Efésios:

“A cada um de nós foi concedida a graça, conforme a medida repartida por Cristo; Assim Ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com o propósito de aperfeiçoar os santos para a obra do ministério, para que o Corpo de Cristo seja edificado, até que alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4.6,11-13).

É verdade que nessas palavras o apóstolo Paulo passa a ideia de funcionalidade externa, por exemplo, referindo-se ao chamado concedido a cada um dos seus e a execução que faz parte de uma obra concreta, externa e extensiva. Todos recebem, a todos o Senhor concede o que possui, todos são importantes.

E, ainda nessas palavras do apóstolo Paulo, pode ser que alguém pense apenas em “algo externo”, contudo primeiramente é algo interno porque ao que é concedido também lhe é pedido que no tempo exerça para que dê frutos e, repetindo, apesar desses frutos serem aparentemente externos, os dons de Deus multiplicam-se quando os utilizamos, pois transformam nossas vidas e ficamos preparados para receber ainda mais da plenitude do Espirito Santo. Essa é a medida da generosidade do Senhor que “ao que tem dá ainda mais ainda”.

É uma obra interna, porque os servos do Reino nada podem fazer e multiplicar sem o Senhor do Reino, pois é do Espírito Santo que vem o poder para ser testemunha tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra. (Atos 1.8).

O intuito do Reino é sempre frutificar ou vocês não se lembram das palavras de Jesus aos seus discípulos antes da consumação do plano no Calvário no evangelho segundo João capítulo quinze sobre “a videira verdadeira e seus ramos”? Neste momento da história, Jesus disse:

“Eu Sou a videira, vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e Eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim não podeis realizar obra alguma” (João – 15.5)

Nessa passagem o fruto é o viver a semelhança de Jesus (Gálatas 5.22-23), mas como alguém estando Nele e a obra acontecendo no seu interior, não pode também multiplicar, dar frutos exteriores e fazer que cinco talentos se tornem dez ou dois talentos se tornem quatro?

O amor de Cristo em nós gera mais amor, a fé mais fé, o caráter mais caráter de Deus, a obediência produz fonte de virtudes que influência todo o ambiente (2º Pedro 1.3-7).

A conclusão é que todos recebem, a diferença está no que cada um fará com a medida que lhe foi confiada até a volta do Senhor para casa. Essa ida e volta do Senhor me faz lembrar as palavras de Jesus:

“Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, Eu o teria dito a vós. Portanto, vou para preparar-vos lugar. E, quando Eu me for e vos tiver preparado um lugar, virei de novo e vos levarei para mim, a fim de que, onde Eu estiver, estejais vós também” (João 14.2-3).

O Senhor foi, mas voltará. Ele não deixou os seus sozinhos aqui, mas concedeu-lhes o bem mais precioso que é o Espírito Santo (João 14.16). Mas enquanto Ele não volta o que você está fazendo com o que é sua responsabilidade fazer?

O servo que enterrou o talento que havia recebido não assumiu a sua responsabilidade e negligência, pelo contrário, responsabilizou o Senhor (Mateus 25.24-25) por tal ato, mesmo dizendo que o conhecia e agiu de forma correta. A pergunta é: será que o conhecia mesmo? Os outros dois tiveram atitudes diferentes que muito alegram o coração do Senhor.

O filho mais velho da “parábola do filho pródigo” (Lucas 15.11-32) também achava que conhecia, porém estava mais perdido dentro de casa do que o filho que se foi e encontrou o amor do pai no seu regresso. A atitude do servo mau e negligente nos faz lembrar que no Grande Dia muitos também dirão que o conhecem, porém serão “expulsos da sua presença para a condenação eterna” (Mateus 7.22-23).

Esses não fizeram? Talvez sim! Mas sua multiplicação foi exterior e por misericórdia do Senhor e não interna como deve ser, pois tudo começa do coração.

No final dessa parábola Jesus não está falando simplesmente sobre a salvação ou condenação de um servo que faz bom uso ou negligência o que foi confiado pelo Senhor em suas mãos, pois nem a condenação tampouco salvação de um individuo dependem disso.

A salvação é pela graça mediante a fé e não por obras ou mérito:

“Porquanto, pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus, não vem por intermédio das obras, a fim de que ninguém venha a se orgulhar por esse motivo” (Efésios 2.8-9).

O caminho da salvação é bem diferente. O fato é que todos nós teremos que dar conta do que nos mesmos a Deus (Romanos 14.12). Não podemos negligenciar que Jesus está contando essa parábola nos contextos da exortação dos acontecimentos do fim e da sua gloriosa vinda para buscar a sua Amada. Nós somos os discípulos alvos dessa exortação hoje.

Esperamos que essas reflexões tenham contribuído para aumentar a sua bagagem acerca das Sagradas Escrituras.

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