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Quem foi Habacuque? História de Habacuque

Habacuque foi um profeta de Deus (3.1). Seu nome é babilônico que significa “Abraçar o Entendimento” (1.1), e como esse nome faz todo o sentido à vida desse homem que entendeu, no seu tempo, diante de todas as suas questões, quem é Deus e quem ele é em Deus e Deus nele, assim pôde ao longo da sua história lamentar, se posicionar e questionar, mas também soube esperar e receber as respostas do Eterno, bem como ao final daquilo que nos é permitido conhecer, ele pôde se alegrar declarando suas convicções de fé no entendimento de quem sabe que Deus sempre está no controle de todas as coisas, pois o mundo e tudo o que nele há está na Sua mão.

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Há um livro com o seu nome no Antigo Testamento do cânon bíblico com três capítulos, esse livro foi escrito aproximadamente em 607 antes de Cristo.

Estudiosos afirmam que a profecia sobre a invasão dos babilônicos (1.6) traz a informação entre linhas que Habacuque residia em Judá perto do fim do reinado de rei Josias ou no inicio do governo do rei Jeoaquim, seus contemporâneos, isso entre 640 a 598 antes de Cristo.

O ministério de Habacuque

O ministério profético de Habacuque aconteceu pouco antes da invasão de Judá pelo império dominado pelo imperador babilônico Nabucodonosor (Daniel 1.1), isto em torno de 606 e 605 antes de Cristo, exatamente no momento em que Daniel e outros jovens israelitas foram levados cativos para a corte babilônica, entre esses jovens sabemos que estavam também Hananias, Misael e Azarias (Daniel 1.6), a saber: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego (Daniel 1.7). Biblistas concordam com a afirmação de que “Habacuque foi convocado por Deus para a missão de pregar sobre a decisão do próprio Eterno de punir Judá com a vindoura deportação para a Babilônia”.

Habacuque: O justo viverá pela fé

Uma das expressões mais conhecidas de todos os tempos retiradas do livro de Habacuque é a frase: “o justo viverá pela fé” (2.4). Ela é mencionada no Novo Testamento nas seguintes cartas: Romanos 1.17, Gálatas 3.11 e Hebreus 10.38. Nos originais gregos, as palavras “fé” e “crer” estão fundamentadas na mesma essência e raiz.

Eugene H. Peterson diz assim: “ Viver pela fé é uma aventura emocionante, pois raramente sabemos o que vem em seguida, e poucas coisas acabam do jeito que esperamos. É natural pensar que, se sou o escolhido e amado de Deus, vou receber tratamento preferencial de um Deus que me favorece de forma tão generosa. Não é exagerado pensar que, a partir do dia em que me torno seguidor dele, vou estar livre dos becos sem saída, dos atalhos barrentos e do tratamento cruel comum às pessoas que encontro diariamente.

O fato de que os seguidores de Deus não recebem tratamento preferencial na vida sempre causa surpresa. Mas sempre causa surpresa também descobrir que alguns homens e mulheres na Bíblia aparecem ao nosso lado nesse momento.

Habacuque foi um deles. Habacuque fala o que queremos sempre dizer a Deus. Habacuque percebeu que Deus iria usar a cruel máquina de guerra da Babilônia para executar juízo sobre o próprio povo de Deus, ou seja, uma nação ímpia para castigar uma nação piedosa.

Para o profeta, isso não fazia sentido, e Habacuque é rápido e ousado em expressar a sua opinião, mas o profeta faz algo mais importante ainda: ele espera e ouve. É na espera e no ouvir dele – que depois se transformam em sua oração – que ele percebe estar habitando o grande mundo da soberania de Deus. Habacuque começou exatamente onde nós começamos, com nossas queixas, nossa perplexidade e nossas acusações contra Deus, mas não parou aí. Ele chegou conosco a um mundo em que todos os detalhes da nossa vida de amor a Deus são transformados em algo bom.

Organização do Livro de Habacuque

  • Primeira questão: O pecado de Israel

“Ó Eterno, até quando clamarei por tua ajuda sem que tu me dês ouvido? Até quando protestarei diante de ti: ‘Violência’, sem que tragas alguma solução? Por que me fazes contemplar a injustiça de observar com clareza toda a maldade que campeia nessa terra? A destruição e a violência estão diante de mim, também há todo o tipo de contendas, discórdias e o litigio é sempre comum. Por este motivo a lei e o direito se enfraquecem e a justiça nunca prevalece. Os ímpios prejudicam e extorquem os justos, e assim a justiça é pervertida!” (Habacuque 1.2-4).

As atitudes pecaminosas do povo estavam se espalhando e Habacuque permanecia perplexo e aflito diante de tudo o que esta vendo e da aparente indiferença de Deus a corrigir e colocar as coisas em ordem em Judá.

  • Primeira resposta: A invasão babilônica

O Eterno fala com Habacuque:  Então contemplai as nações, e atentai: maravilhai-vos; porquanto eis que realizo em vossos dias uma obra de tal magnitude que não conseguiríeis acreditar se tudo isso, simplesmente, lhes fosse contado! Eis que estou conduzindo os babilônios, essa nação cruel, impetuosa e violenta, que marcha sobre a largura da terra a fim de se apoderar de habitações que não lhes pertencem. É, pois, uma nação apavorante e temível, que faz justiça com as próprias mãos, e todo o seu juízo e leis vêm dela mesma.

Os seus cavalos de guerra são mais rápidos que leopardos, e mais ariscos e ligeiros que lobos ao pôr-do-sol; os seus cavaleiros espalham-se por toda parte; eles vêm de muito longe; voam como a águia faminta que se apressa em devorar. Eles todos vêm determinados a massacrar. Suas hordas avançam como o vento do deserto, fazendo tantos prisioneiros como a areia da praia. Desprezam o poder dos reis, e se escarnecem de todos os governantes.

Riem diante de qualquer cidade fortificada, pois costumam construir rampas de terra e por meio delas invadem todas as fortalezas. Então passam com o ímpeto de uma ventania e seguem adiante; eles, porém, são homens carregados de culpa e condenação, porquanto têm como deus a sua própria arrogância e força!  (Habacuque 1.5-11).

  • Segunda questão: O pecado da Babilônia

Então Habacuque reage com inicial e aparente indignação, e segue os questionamentos diante de Deus após a Sua resposta, dizendo:

Ó Eterno, santo Deus! Porventura não existes desde a eternidade? Tu jamais morrerás e nós te seguiremos! Mas, SENHOR, tu designaste justamente essa nação pagã para executar o teu juízo? Ó Tsûr, Rocha de Refúgio; tu decidiste estabelecer este povo para aplicar o castigo.

Tu, cujos olhos são puros e imaculados, que não suportam ver o mal; que não podes tolerar a malignidade. Então, por que tens paciência com os perversos? Por que ficas em silêncio enquanto os ímpios devoram os que são mais justos que eles? Tornaste os homens como peixes do mar, como animais que não têm bom senso e a ninguém devem satisfação?

O inimigo simplesmente os pega com anzóis, apanha a todos com sua rede e nela os arrasta para onde deseja; então comemora e exulta. Por este motivo ele oferece sacrifício à sua própria rede e queima incenso em sua honra, pois, rende graças à sua rede; vive em grande conforto e segurança, e ainda desfruta de boa e farta comida.

Contudo, continuará ele esvaziando a sua rede, e destruindo sem piedade as nações? Sendo assim, eu me colocarei, como sentinela, sobre minha torre de vigia; tomarei posição sobre a muralha; aguardarei para ver o que o Eterno, o SENHOR, me dirá e que resposta receberei aos meus questionamentos! (Habacuque 1.12 – 2.1).

  • Segunda resposta: A destruição da Babilônia

Então o Eterno me respondeu e ordenou: “Escreve a visão com toda a clareza possível em grandes tábuas, para que até o mensageiro que passa correndo a leia”. Porquanto esta visão se cumprirá num tempo determinado no futuro; é uma visão que fala do fim, e não falhará! Ainda que demore, aguarde-a confiante; porque ela certamente virá e não se retardará. Escreve, pois: Eis que o ímpio está cada vez mais arrogante; suas vontades não visam o bem; mas o justo viverá pela sua fé.

Em verdade, a riqueza e os prazeres são traiçoeiros; o ímpio é muito soberbo e jamais encontra descanso. Seu desejo impetuoso é como o próprio Sheol, a morte, nunca se satisfaz; apanha para si todas as nações e ajunta para seu domínio todos os povos.

Contudo, chegará o dia em que todos estes povos zombarão do ímpio com canções e provérbios de escárnio, e dirão: ‘Ai daquele que acumula o que não é seu! Ai daquele que se enche de bens saqueados! Até quando será assim? Não se levantarão de repente os teus credores? Não despertarão os que te farão estremecer de medo? Então servirás de despojo para eles.

Visto que despojaste muitas nações, os outros povos igualmente te saquearão. Porquanto derramaste muito sangue, e cometeste todo tipo de violência contra terras, cidades e seus moradores. Ai daquele que adquire para a sua casa lucros criminosos, para pôr o seu ninho no alto, a fim de se livrar das garras do mal! Tramaste a destruição de muitos povos, trazendo vergonha para a tua própria casa e, portanto, pecaste contra ti mesmo.

Pois as pedras clamarão da parede, e as vigas replicarão do madeiramento contra ti. Ai daquele que edifica uma cidade com sangue e a estabelece mediante atitudes criminosas! Ora, e também não é da vontade do SENHOR dos Exércitos que os povos trabalhem para o fogo e as nações se afadiguem em vão? Entretanto, assim como as águas cobrem o mar, a terra se encherá do conhecimento da glória de Yahweh, o SENHOR.

Ai daquele que incita o seu próximo a beber, e ainda mistura à bebida a sua malícia e violência, a fim de embebedá-lo e contemplar a sua nudez. Sendo assim, bebe bastante vergonha, em vez de honra! Sim! Bebe tu também e expõe a tua própria incircuncisão. Eis que a taça da mão direita de Yahwehse chegará a ti, e a vergonha cobrirá completamente a tua glória.

Toda a violência que cometeste contra o Líbano haverá de te alcançar; e ainda ficarás horrorizado por causa da matança que fizeste contra os animais silvestres; e te amedrontarás ainda mais, ao ser confrontado com todo o sangue derramado mediante a violência que desferistes contra as terras, as cidades e todos os seus habitantes.

Ora, qual a utilidade de uma imagem idólatra esculpida por um artífice? Ou uma insignificante divindade de metal que ensina mentiras? Pois aquele que faz tais objetos deposita sua confiança na própria obra de suas mãos; contudo cria ídolos mudos e inúteis. Ai daquele que diz à madeira: ‘Desperta!’ Ou ainda à pedra sem vida: ‘Acorda!’ Poderá, de alguma forma, um ídolo dar alguma orientação? Está coberto de ouro e de prata, mas tal objeto não respira, não há espírito algum dentro dele. Mas Eterno, sim! Ele está no seu santo Templo; cale-se diante dele toda a terra” (Habacuque 2.2-20).

Escrever em “grandes tabuas para que o mensageiro que corra leia”, quer dizer que o mensageiro possa ler rapidamente e levar a mensagem urgente aos destinatários. Não houve resposta imediata a oração de Habacuque, porém vemos que ele assume uma posição de confiante espera na certeza que a resposta virá em qualquer momento.

A destruição da Babilônia viria em 539 antes de Cristo, em torno de 66 anos depois da visão profética mencionada nessa resposta, mas Deus cumpre o que Ele diz, sempre foi assim. A última expressão desse capítulo: “cale-se diante dele toda a terra”, assim como a frase “o justo viverá pela fé”, é também muito conhecida e usada entre os cristãos nas nações para declarar a soberania e majestade inigualável do Deus Eterno, o nosso Deus.

  • A oração de Habacuque: Esperança e Adoração

Então o profeta Habacuque, fez a seguinte oração, em estilo shiggâyônisto, isto é, sob forma de cântico de confissão: “Ó Yahweh, eu ouvi falar da tua fama e tremo diante dos teus atos, SENHOR! Realiza de novo, em nossos dias, as mesmas obras maravilhosas que fizeste no passado; faze-as conhecidas por todos também em nossa época; ainda que estejas irado, lembra-te da tua imensa misericórdia! ‘Elôah, Deus veio de Temã, e Kâdôsh, o Santo, veio do monte Pâ’rân, Região das Cavernas.

O seu resplendor é como a luz; raios brilhantes saem da sua mão, e o esconderijo da sua força está ali. As pestes vão adiante dele, e a praga destruidora o segue. Eis que ele se deteve, e a terra estremeceu; olhou, e fez tremer todas as nações.

Montes antigos se desmancharam; colinas firmes desde a antiguidade se desfizeram. Os caminhos dele são eternos! Contemplei a aflição das tendas de Cushán; tremiam todas as cortinas das tendas de Midiã. Seria contra os rios que estavas irado, ó Yahweh? Era contra os riachos a tua cólera.

Foi contra o mar que o teu zelo transbordou quando cavalgaste em teus cavalos de guerra e com tuas carruagens de vitória? Preparaste o teu arco; pediste muitas flechas. Os montes te observaram e se contorceram. Torrentes de água desceram com violência; o abismo estrondou, erguendo as suas ondas enormes. O sol e a lua param nas suas moradas, ante o lampejo das tuas flechas que voam, ao brilho intenso da tua lança reluzente.

Com zelo e grande furor andaste a passos largos por toda a terra e com indignação pisoteaste gôym, nações pagãs! Partiste para salvar a tua gente, para libertar o teu povo ungido. Esmagaste o líder da nação ímpia, despindo-lhe por completo da cabeça aos pés. Traspassas a cabeça dos seus valentes com suas próprias lanças, quando saíram como um terrível ciclone, a fim de nos espalhar com maligno prazer, como se estivessem prestes a devorar o necessitado em seu abrigo.

Eis que tu marchas com teus cavalos pelo mar, agitando as grandes águas. Assim que eu ouvi tudo isso, as minhas entranhas se comoveram, meus lábios tremeram; meus ossos desfaleceram; minhas pernas vacilaram.

Portanto, aguardarei em tranqüilo silêncio o Dia da tribulação, que virá sobre o povo que nos oprime. Ainda que a figueira não floresça, nem haja uvas nas videiras; mesmo falhando toda a safra de olivas, e as lavouras não produzam mantimento; as ovelhas sejam seqüestradas do aprisco, e o gado morra nos currais, eu, todavia, me alegrarei no SENHOR, e exultarei no Deus da minha salvação! Yahweh Adonai, o SENHOR Soberano, é a minha força! Ele faz os meus pés como os do cervo; faz-me caminhar por lugares altos” (Habacuque 3.1-19).

Habacuque então afirma a sua fé, mas notamos que ele aprende a viver também na dependência de Deus e confiar no controle absoluto do Eterno “ainda que a figueira não floresça nem haja fruto nas videiras”, mesmo que tudo se perca aos seus olhos é possível se alegrar no Senhor. Que aprendamos a viver assim também, em nome de Jesus.

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